Professora Ana Maria da Costa Ferreira recebe o Prêmio Rheinboldt-Hauptmann 2025

A professora Ana Maria da Costa Ferreira, do Instituto de Química da Universidade de São Paulo (IQ-USP) e membro do CEPID Redoxoma, é a vencedora do Prêmio Rheinboldt-Hauptmann 2025, concedido anualmente a pesquisadores que se destacam pela excelência de sua atuação científica e acadêmica nas áreas de química e bioquímica.
Na cerimônia de entrega do prêmio, o vice-diretor do IQ-USP no exercício da diretoria, professor Shaker Chuck Farah, destacou que desde 1987, quando foi criado, já foram concedidos 35 prêmios Rheinboldt-Hauptmann, dos quais 16 foram destinados a pesquisadores do IQ-USP, “formando um grupo muito especial e seleto na história do Instituto e na comunidade científica do Brasil”. Coube ao professor emérito Henrique Eisi Toma apresentar a homenageada, fazendo um retrospecto de mais de 50 anos de convivência acadêmica e colaboração científica. A cerimônia reuniu docentes, funcionários, alunos, ex-alunos e convidados.
Em sua apresentação, intitulada “Engendrando moléculas com atividade biológica”, Ana Maria destacou o valor das conexões e colaborações que moldaram sua trajetória científica. “A ciência é uma engrenagem contínua: você se apoia no que veio antes e o seu trabalho serve de base para quem vem depois. E juntos chegamos mais longe.”
Ela contou que, durante a pós-graduação, teve uma formação que integrou diferentes áreas da química. Iniciou o doutorado sob orientação do professor Pawel Krumholz, na área de química de coordenação, e, após seu falecimento, deu continuidade ao trabalho com o professor José Manuel Riveros, aprofundando-se em métodos espectroscópicos e cinética química. Com o apoio do professor Giuseppe Cilento, aproximou-se do estudo de espécies reativas de oxigênio, campo mais relacionado à bioquímica. “Eu sempre andei nesse fio de arame entre os dois departamentos, já de pequenininha, como se diz”, recorda. Essa experiência marcou o início de uma trajetória caracterizada pela integração entre a química de coordenação e a bioquímica.
Trajetória acadêmica e atuação científica
Formada em química pelo IQ-USP em 1971, Ana Maria obteve o doutorado em físico-química na mesma instituição em 1976 e realizou pós-doutorados na Universidade Tor Vergata de Roma, na Itália, na área de química biológica, e na State University of New York em Albany (EUA), com foco em espectroscopia de ressonância paramagnética eletrônica (EPR). É professora titular do IQ-USP desde 2002.
O interesse pela interface entre a química de coordenação e a bioquímica direcionaram sua carreira para o estudo de espécies reativas e sistemas metálicos de relevância biológica. Ana Maria vem se dedicando ao desenvolvimento de novos metalofármacos -compostos metálicos com potencial terapêutico, incluindo atividades antitumoral e antiparasitária-, uma área promissora no combate a doenças negligenciadas e ao câncer. O caráter inovador de sua produção científica se reflete em diversas patentes, incluindo os complexos metálicos e o reator redox desenvolvido em seu grupo.
Entre os resultados mais expressivos de sua pesquisa, destaca-se justamente esse reator redox para o tratamento de efluentes industriais, já implantado em uma empresa petroquímica de rerrefino de óleos lubrificantes.
Sua trajetória também é marcada por forte atuação em entidades científicas e pelo reconhecimento de sua contribuição à química brasileira. Ana Maria é membro ativo da Sociedade Brasileira de Química (SBQ), da International Union of Pure and Applied Chemistry (IUPAC) e do Conselho Regional de Química – IV Região (CRQ-IV), do qual é conselheira. Foi agraciada com a Comenda da Ordem Nacional do Mérito Científico, em 2007; recebeu a Medalha Ícaro S. Moreira, da Divisão de Química Inorgânica da SBQ, em 2009; e, em maio de 2022, foi condecorada com a Medalha Simão Mathias, também da SBQ.
Paralelamente, dedica-se à formação de estudantes e à difusão do conhecimento químico por meio de publicações de referência. É coautora do livro Nomenclatura básica de química inorgânica: adaptação simplificada, atualizada e comentada das regras da IUPAC para a língua portuguesa, escrito em parceria com Henrique E. Toma, Ana Maria G. Massabni e Antonio Carlos Massabni, obra de referência para estudantes e profissionais da área. Em colaboração com Toma, também é autora de Química de Coordenação — Uma Abordagem Experimental, publicado pela Edusp no âmbito do Programa de Incentivo à Produção de Livros Didáticos para o Ensino de Graduação (PIPLDE).
O Prêmio Rheinboldt-Hauptmann, recebido por Ana Maria da Costa Ferreira, presta homenagem aos professores Heinrich Rheinboldt e Heinrich Hauptmann, químicos alemães que fundaram o Departamento de Química da antiga Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da USP, núcleo a partir do qual se estruturou o atual Instituto de Química e seus dois departamentos.
