Ana Maria da Costa Ferreira é eleita membro titular da Academia Brasileira de Ciências
A professora Ana Maria da Costa Ferreira, do Instituto de Química da Universidade de São Paulo (IQ-USP) e integrante do CEPID Redoxoma, foi eleita membro titular da Academia Brasileira de Ciências (ABC). O resultado foi divulgado após a Assembleia Geral da entidade, realizada em 19 de novembro. Os novos membros titulares e correspondentes receberão seus diplomas durante a Reunião Magna da ABC, que ocorrerá no Rio de Janeiro entre 5 e 7 de maio de 2026.
“Este ano de 2025 está sendo mesmo excepcionalmente bem sucedido em minha vida acadêmica. Num intervalo de duas semanas, ganhei o Prêmio Rheinboldt-Hauptmann, muito especial, oferecido pelo IQ-USP a destacado pesquisadores dentro e fora da USP, e em seguida fui eleita para a prestigiosa Academia Brasileira de Ciências (ABC)”, comentou a pesquisadora.
Para ela, essas homenagens representam o reconhecimento de décadas de trabalho e dedicação. “Considero-me especialmente contemplada, tendo meu trabalho de muitas décadas, em prol do ensino e da pesquisa, reconhecido e prestigiado. O melhor de tudo, reconhecida em minha própria casa, na USP e no Brasil. Para minha trajetória, tanto este prêmio, juntamente com os anteriores que recebi, como a minha entrada para a Academia representam um final feliz de minha dedicação à ciência. Talvez mais importante ainda, é o que representam para meus alunos, ex-alunos, colaboradores e colegas. Um incentivo para os mais jovens, um alento para os que ainda batalham nesse campo.“
A trajetória acadêmica de Ana Maria começou no próprio IQ-USP, onde se formou em Química em 1971 e concluiu o doutorado em físico-química em 1976. Em seguida, realizou pós-doutorados na Universidade Tor Vergata de Roma, na área de química biológica, e na State University of New York, em Albany, com foco em espectroscopia de ressonância paramagnética eletrônica (EPR). É professora titular do IQ-USP desde 2002.
Sua pesquisa concentra-se na interface entre química de coordenação e bioquímica, com foco no estudo de espécies reativas e sistemas metálicos de relevância biológica. Seu grupo desenvolve metalofármacos com potencial aplicação terapêutica e tecnologias relacionadas a processos redox. Entre os resultados aplicados está um reator redox para tratamento de efluentes industriais, já implantado em uma empresa petroquímica.
Além da produção científica, Ana Maria atua em entidades científicas nacionais e internacionais. É membro da Sociedade Brasileira de Química (SBQ), da International Union of Pure and Applied Chemistry (IUPAC) e conselheira do Conselho Regional de Química – IV Região (CRQ-IV). Ao longo da carreira, recebeu diversas distinções, entre elas a Comenda da Ordem Nacional do Mérito Científico (2007), a Medalha Ícaro S. Moreira (2009) e a Medalha Simão Mathias (2022), além do Prêmio Rheinboldt-Hauptmann do IQ-USP, concedido em 2025.
A formação de estudantes e a produção de material didático também ocupam papel central em sua carreira. Ela é coautora de Nomenclatura básica de química inorgânica: adaptação simplificada, atualizada e comentada das regras da IUPAC para a língua portuguesa, escrito em parceria com Henrique E. Toma, Ana Maria G. Massabni e Antonio Carlos Massabni, e, com Toma, de Química de Coordenação — Uma Abordagem Experimental. Ambos são referências no ensino da área.
“Na minha caminhada profissional, tive muitos que me inspiraram e que tornaram minha jornada mais fácil e mais prazerosa: professoras do ensino fundamental e médio, orientadores e supervisores, que me doaram um bem precioso, o conhecimento e a rota para seguir adiante, com confiança e resiliência. Tento à minha maneira fazer o mesmo para meus alunos e colegas de jornada,” afirmou Ana Maria.
Com a eleição de Ana Maria da Costa Ferreira, o CEPID Redoxoma passa a contar com seis membros titulares da Academia Brasileira de Ciências: Ohara Augusto (2002), Francisco Laurindo (2012), Alicia Kowaltowski (2018), Paolo Di Mascio (2021) e Maurício da Silva Baptista (2024).
