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Novo diretor quer colocar Instituto de Química da USP entre os melhores do mundo

Autores: Maria Célia Wider

11/05/18
 

O novo diretor do Instituto de Química da USP (IQ-USP), Paolo Di Mascio, e seu vice, Pedro Vitoriano de Oliveira, tomaram posse ontem (10/05), em cerimônia que contou com a presença de dirigentes da Universidade, ex-diretores, funcionários e docentes do Instituto.

Paolo Di MascioEm seu discurso, Di Mascio destacou a história de sucesso do IQ em pesquisa, ensino e extensão e afirmou que seu desafio é avançar ainda mais na busca por excelência. “Um dos principais gargalos para esse avanço é a recuperação da infraestrutura e a garantia de apoio técnico necessário para o ensino e pesquisa em Química, uma ciência experimental”. Ele afirmou que, para enfrentar esses desafios, conta com o espírito de união da comunidade do IQ.

O reitor Vahan Agopyan, em discurso, destacou a afinidade dos objetivos da direção do IQ com as diretrizes da atual gestão reitoral no que diz respeito à busca por excelência e à interação da Universidade com a sociedade. Ele afirmou que, além de dirigir uma unidade, os novos diretores são um pouco responsáveis pela gestão da Universidade, ao participarem do Conselho Universitário e como membros ativos das diversas iniciativas da Universidade. “Estamos juntos dirigindo uma grande empreitada, um grande desafio, que é manter a USP em sua excelência”.

Entrevista

Em entrevista ao Redoxoma, Di Mascio afirmou que tem por objetivo colocar o IQ entre os melhores Institutos de Química no cenário nacional e internacional, “um trabalho que necessita do envolvimento de toda a comunidade do IQ”. Para ele, o maior desafio é “modernizar a graduação preparando nossos alunos para a pesquisa, ensino e inovação em Química do futuro”. Vice-diretor do Instituto de 2014 a 2018, ele destaca como marcas da gestão do professor Luiz Henrique Catalani (2014-2018) a transparência na gestão e a criação da Comissão de Direitos Humanos para tratar de conflitos na comunidade do IQ.

Nascido em Cardito, Vallerotonda, “Parco Nazionale d’Abruzzo”, Lazio, na Itália, em 1961, e cidadão brasileiro desde 2017, sua história na USP começou em 1988, quando veio para a Universidade realizar experimentos em colaboração com o professor Carlos Menck, que na época era do Instituto de Biociências (IB-USP), como parte de seu doutorado. Após o doutorado, trabalhou como pesquisador convidado com o professor Etelvino Bechara, dentro de um projeto BID-USP, e depois como professor visitante do CNPq. Durante esse projeto surgiu a oportunidade de um concurso para professor doutor no IQ, em 1994. Foi aprovado e iniciou seu grupo de pesquisa. Foi aprovado em concurso para a Livre-docência em 1996 e para Professor Titular em 2000. Coordenador de Transferência de Tecnologia do CEPID-Redoxoma desde 2009, também coordena o NAP-Redoxoma e é membro da Comissão da Central Analítica.

Di Mascio é formado em Química Clínica pela Université Libre de Bruxelles e em Tecnologia Biomédica pela Université Catholique de Louvain; doutorado em Tecnologia Biomédica pela Faculté de Médecine da Université Catholique de Louvain / Universidade de Düsseldorf; e pós-doutorado pela Universidade de São Paulo. Ele sempre trabalhou com mecanismo de reações bioquímicas envolvendo espécies no estado eletronicamente excitado, principalmente o oxigênio singlete, e reações redox, utilizado técnicas de fotoquímica e espectrometria de massas. Atualmente, é pesquisador principal do CEPID-Redoxoma, que tem como foco entender mecanismos fundamentais de processos redox e sua regulação em sistemas biológicos.

Quais são suas metas iniciais como diretor do IQ-USP?
O projeto da nossa chapa para Diretoria, minha e do professor Pedro de Oliveira, tem como objetivo principal a busca pela excelência nas três áreas: ensino, pesquisa e extensão.

Como meta inicial iremos discutir o Projeto Acadêmico do Instituto para os próximos cinco anos. Essa é uma exigência da Reitoria da USP. Entretanto, iremos aproveitar a oportunidade para discutir com as Comissões Centrais e com os professores quais são os gargalos para continuarmos crescendo nessa busca da excelência. Sabemos que temos problemas estruturais e de apoio técnico que foram acentuados durante a crise financeira da USP. Nesse ponto, a Diretoria fará esforços para, junto com a Reitoria, corrigir essas falhas.

Iremos também, através de simpósios internos, discutir a possibilidade de criação de novas redes de trabalho que otimizem a pesquisa, espaço, uso racional de equipamentos e levem a uma maior visibilidade da nossa pesquisa.

No ensino, discutiremos com a Comissão de Graduação a criação de novas disciplinas, a disponibilização de técnicas avançadas para a Graduação, a criação e modernização de cursos para continuar na formação de alunos internacionalmente competitivos. Novamente, essa discussão será realizada junto com a discussão do projeto acadêmico do IQ nesse primeiro semestre.

Para o ensino de pós-graduação estamos planejando convênios com Universidades Internacionais para troca de alunos e a possibilidade de oferecer duplo-diploma.

Na extensão, a meta inicial é modernizar a home-page do IQ para maior divulgação das atividades de extensão realizadas no Instituto e a criação de boletins virtuais dirigidos para públicos alvo como secundaristas, empresários e para a imprensa para divulgar atividades e informar sobre as pesquisas desenvolvidas no IQ.

E a médio e longo prazo?
Colocar o IQ entre os Institutos de Química líderes no mundo. Para isso precisamos de infraestrutura modernizada e de novos técnicos habilitados para trabalho em técnicas avançadas. Atrair jovens-pesquisadores que dominem áreas que necessitamos para o nosso avanço. Ensino de graduação e pós-graduação de qualidade internacional com alunos preparados para a pesquisa competitiva, ensino e inovação. Formar pessoas muito bem preparadas é fundamental para o avanço do IQ.

Iremos estimular a realização de seminários internacionais, via videoconferência com pesquisadores e pós-graduandos de Universidades Internacionais parceiras para expor os nossos alunos cada vez mais a ambientes internacionais.

Esse é um trabalho que necessita do envolvimento de toda a comunidade IQ. Docentes, alunos e funcionários precisam ter claro as metas acadêmicas do Instituto e se prepararem para alcançá-las.

Você foi vice-diretor do IQ na gestão do professor Luiz Henrique Catalani, que inovou ao abrir espaço para uma participação mais ativa do vice. Como você avalia essa experiência?
Foi muito boa. Divisão de trabalho e compartilhamento de ideias. Acho que facilitou bastante a tarefa de dirigir uma unidade como o IQ.

Atualmente, com a eleição de uma chapa o vice já tem participação ativa desde a elaboração do projeto de gestão.

Quais foram os pontos altos e os pontos baixos da gestão?
A transparência da gestão foi um dos pontos altos. Decisões foram compartilhadas com o Comitê Gestor. Os gastos estavam disponibilizados na rede.

Outro ponto importante foi a criação da Comissão de Direitos Humanos para tratar de conflitos na comunidade do IQ. Essa comissão teve resultados muito positivos.

No período conseguimos reformar e modernizar 40 laboratórios.

O principal ponto baixo foi a crise financeira da USP que interrompeu investimentos, a contratação de técnicos e a melhoria da infraestrutura. Para termos um Instituto competitivo internacionalmente é fundamental contarmos, também, com infraestrutura moderna que atenda as necessidades dos grupos de pesquisa com segurança contra riscos ligados a pesquisa em química e, suporte a instalação de equipamentos modernos. A crise também obrigou a USP a não reajustar salários e interromper a progressão na carreira dos funcionários o que gerou um descontentamento muito grande na comunidade.

O IQ-USP é considerado um dos melhores institutos dedicados à ciência e ao ensino de química e bioquímica do Brasil e da América do Sul, conta com 120 docentes, 200 servidores não-docentes, 600 alunos de graduação, 400 de pós-graduação e mais de 100 pós-doutores. Na sua opinião, quais os principais desafios do IQ? Como você vê o futuro do Instituto e como você poderia influenciar esse futuro?
O nosso trabalho é manter o IQ entre as lideranças na química brasileira e avançar cada vez mais para estar entre os melhores Institutos de Química internacionais.

O nosso maior desafio é modernizar a graduação preparando nossos alunos para a pesquisa, ensino e inovação em Química do futuro. O ensino está entre as prioridades da nossa gestão.

Na pesquisa a meta é aumentar o impacto das nossas pesquisas criando condições melhores de trabalho, incentivar a pesquisa interdisciplinar, atrair jovens pesquisadores e técnicos e manter e modernizar nosso parque de equipamentos incentivando cada vez mais o compartilhamento de técnicas e equipamentos.

Para os funcionários dar condições de trabalho seguro e oportunidades de crescimento na carreira com treinamento contínuo.

O papel da Diretoria é prever, junto com os docentes, qual será a Química dos próximos anos e preparar o Instituto para avançar nessa direção. É um trabalho político, de treinamento, convencimento e necessariamente de engajamento de todos.

Como a crise financeira pela qual passa a USP afeta o IQ? Existe algo que a direção do Instituto possa fazer para minimizar esse problema? (Parceria com empresas, por exemplo?)
A crise financeira afetou toda a Universidade. Tivemos redução de verbas institucionais, diminuição de quadro de funcionários, e poucos investimentos em infraestrutura.

A gestão anterior tentou aumentar parcerias com empresas, mas, infelizmente, a crise não era só da USP, mas do Brasil, e todos ficaram em compasso de espera.

A nova gestão irá prosseguir com conversas com empresas, aguardando sinais de melhora na economia para aumentar essa cooperação. Entretanto, mesmo durante a crise, os nossos professores conseguiram aprovar projetos importantes com empresas nacionais e internacionais. Esses projetos, embora não permitam investimento em infraestrutura predial, permitem compra de equipamentos de ponta e reagentes necessários para a pesquisa e inovação. Destacamos a importância desses projetos também para a exposição da nossa competência para a sociedade e empresários nacionais e internacionais.

Por falar em crise, como você analisa o momento da ciência brasileira?
A ciência brasileira passa por um momento muito complicado com escassez de verbas e com risco de perda de investimentos realizados por falta de investimento nas Universidades e Centros de Pesquisa. São Paulo, mesmo com a FAPESP, acaba sentido esses efeitos com a diminuição de bolsas e projetos federais. O risco é o desmonte de grupos de pesquisa importantes para o país. Entretanto, eu sou otimista e acho que vamos conseguir superar a crise, só espero que o impacto desse crise não leve anos para ser recuperado, o que seria uma tragédia para o Brasil.

Ciência básica ou ciência aplicada?
Não existe uma escolha, já que são coisas complementares. Sem a ciência básica não temos geração de conhecimento para aplicação.

O forte do Instituto de Química é a ciência básica, mas cada vez mais vemos docentes que visualizam o ponto certo para a aplicação dos conhecimentos gerados, com publicação de patentes e projetos em colaboração com industrias. O IQ é o segundo maior produtor de patentes da USP.

A Diretoria do IQ e a USP reconhecem a importância da Ciência Básica e Aplicada e buscamos, como gestão, apoiar e facilitar o trabalho de todas competências.


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