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Pesquisadoras identificam compostos antivirais contra a Febre Aftosa

Autores: Maria Célia Wider

06/08/2015
Método de identificação e compostos foram patenteados

Dois compostos com atividade inibitória contra a protease Líder (Lbpro) do vírus da febre aftosa foram identificados e patenteados pelo grupo da professora Antonia Tavares do Amaral, do Instituto de Química da USP e do CEPID Redoxoma.

A febre aftosa é uma doença viral altamente infecciosa que afeta bovinos, caprinos, bubalinos, suínos e ovinos. A doença, conhecida também como foot-and-mouth disease (FMD), provoca febre e a formação de feridas, ou aftas, que impedem o animal de se alimentar e de se movimentar. Ainda que apresente baixa mortalidade, tem alta morbidade, chegando a 100% dos rebanhos infectados, com significativo prejuízo econômico para o setor agropecuário.

Embora seja uma doença controlada por meio de vacinação, a proteção conferida pela vacina é sorotipo específica, ou seja, uma vacina para cada sorotipo, e há sete sorotipos do vírus da Febre Aftosa. Por isso o interesse em encontrar um antiviral como possibilidade de tratamento. “A proposta de termos um antiviral para uma doença contra a qual já exista a vacina é justamente evitar o risco de uma infecção por um sorotipo diferente daquele contra o qual o rebanho está imunizado”, afirmou a doutoranda Erika Piccirillo, responsável pela pesquisa. Um antiviral pode ser utilizado no controle de surtos, evitando que todo o rebanho seja sacrificado.

Os dois compostos identificados são moléculas pequenas e não-peptídicas, que atuam como inibidores reversíveis da protease viral. O pedido de patente foi feito por meio da Agência USP de Inovação e refere-se à abordagem utilizada na identificação dos compostos e a uma composição farmacêutica contendo os compostos com potencial aplicação no tratamento da febre aftosa. O trabalho contou com a colaboração das pesquisadoras Maria A. Juliano e Marcia Y. Kondo, da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), também coautoras da patente.

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Pesquisadoras identificam compostos antivirais contra a Febre Aftosa

Método de identificação e compostos foram patenteados.

Pesquisadoras identificam compostos antivirais contra a Febre Aftosa

A febre aftosa é uma doença viral que afeta bovinos, caprinos, bubalinos, suínos e ovinos (Foto: dr. Tsv. Alexandrov. Licensed under CC BY-SA 3.0).

Pesquisadoras identificam compostos antivirais contra a Febre Aftosa

A doença provoca febre e a formação de feridas, ou aftas, que impedem o animal de se alimentar e de se movimentar (Foto: USDA online photography center, Licensed under Public Domain).

Pesquisadoras identificam compostos antivirais contra a Febre Aftosa

Os dois compostos identificados são moléculas pequenas e não-peptídicas, que atuam como inibidores reversíveis da protease viral.

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Modelagem Molecular

Com o uso da abordagem denominada Modelagem Molecular, as pesquisadoras diminuíram as etapas necessárias para se chegar aos compostos de interesse. “A grande vantagem do método é que, em vez de busca aleatória, fizemos uma busca sistemática, racional, a mesma que é usada na indústria farmacêutica”, afirmou a professora Antonia Tavares do Amaral. Piccirillo trabalha há vários anos com proteases, usadas na busca de antichagásicos. Ela explica que, para chegar aos compostos que tenham atividade inibitória contra uma determinada protease, a primeira etapa da pesquisa é feita virtualmente, no computador, sem o consumo de qualquer material. Nesta abordagem, conhecida como virtual screening, partindo de um grande banco de dados, apenas os compostos que apresentam características estruturais importantes para atividade inibitória são selecionados. A pesquisadora ressalta que a parte mais importante e trabalhosa nesta etapa é conseguir reconhecer, e muitas vezes propor, quais são as características estruturais importantes para atividade inibitória. Depois, a segunda etapa da pesquisa é feita experimentalmente no laboratório, testando a atividade inibitória dos compostos previamente selecionados no computador. “Vamos aplicando diferentes filtros até chegar a alguns poucos compostos, que só então são comprados e testados.”

Seu objetivo, agora, é encontrar inibidores da protease do vírus da dengue. “A protease do vírus da dengue é uma serino protease, e possui características estruturais diferentes da do vírus da febre aftosa, que é uma cisteíno protease. Sua estrutura apresenta, em especial, uma grande flexibilidade”, explicou. Recentemente, ela passou três meses na Alemanha, estudando a técnica de dinâmica molecular, para incluir essa flexibilidade nas análises computacionais e passar para a etapa de seleção dos compostos. Entre outros projetos, o grupo da professora Antonia Tavares do Amaral tem interesse em utilizar as metodologias QSAR (Quantitative Structure-Activity Relationship) e modelagem molecular na área de Química Ambiental, além de já atuar na área de agroquímicos (toxicidade preditiva e fins regulatórios) e no planejamento de medicamentos humanos e veterinários. “Essa é uma contribuição importante do Redoxoma”, afirmou a pesquisadora.

A patente “Método de Identificação de Compostos Antivirais, Compostos Antivirais, Métodos de Avaliação da Funcionalidade dos Compostos Antivirais, Uso dos Compostos Antivirais e Composição Farmacêutica Antiviral”, de Erika Piccirillo, Maria A. Juliano, Marcia Y Kondo e Antonia T-do Amaral, foi registrada sob o nº BR 10 2015 0006561-2, no Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI).


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